terça-feira, 26 de janeiro de 2010

AS ÚLTIMAS HORAS QUE ANTECEDERAM A CRUCIFICAÇÃO

AS ÚLTIMAS HORAS QUE ANTECEDERAM A CRUCIFICAÇÃO


INTRODUÇÃO

Voltar a dois mil anos atrás, não é algo fácil, mas graças aos achados arqueológicos, textos e artefatos, faremos algumas observações, dos acontecimentos que remontam as possibilidades históricas que esclarecem as horas que antecederam a crucificação do maior personagem histórico. O Homem de todos os tempos, rejeitado por alguns e admirado por muitos, eyswm .
Trataremos cuidadosamente das horas que antecederam a crucificação. Delimitaremos o campo de abordagem partindo dos evangelhos sinópticos e visualizando as passagens que norteiam o processo. Fundamentaremos o sentido original dos textos escritos para não correr o risco de cometer ambigüidades.
Buscaremos valorizar a coerência interpretativa dos termos encontrados no hebraico e no grego que construíram rigorosamente o cenário da crucificação.
As afirmativas serão alinhadas a uma linguagem poética, resplandecendo as perspectivas históricas. Uma linguagem submetida à resignação do antigo testamento que servira de estimulo para a fixação prazerosa que intensifica esta brilhante história.

SOLIDÃO POR AMOR

Há dois mil anos atrás, em uma noite gélida, no Monte das Oliveiras, havia um Homem com rosto em terra; crescido como “um Broto Tenro, Raiz saída de uma terra seca. Não tinha qualquer beleza ou majestade que nos atraísse, nada em sua aparência para ser desejado”(Is 53:2), mas era conhecido pelos seus feitos, Homem caridoso e amoroso, orava ao Deus criador dos céus e da terra. Aquela noite daria inicio as profundas mazelas que o envolveriam, os ventos e as neblinas não puderam conter as intensas gotas de suor misturadas com sangue que umedeciam o chão daquele lugar. Seus discípulos tão próximos, o acompanhavam, mas tornaram-se insensíveis à tamanha desolação sentida pelo Mestre, trocaram um ato consolador por um breve momento de repouso . Ali estava a Oferta necessária, na auto-rendição à soberana vontade de Myhla*, tomando sobre si a culpa de toda humanidade (Is 53:5) permitindo-se voluntariamente ser aprisionado (Mt 26:50b-56). Ele renunciou um auto posto, esvaziando-se de si mesmo (Fl 2:6-8), foi encontrado na forma da mais inocente Ovelha, pronta para ir ao matadouro. Sem nenhuma acusação sustentável (Lc 23:13-16; Mt. 26:59-60), foi preso, e apresentado as autoridades, sofrendo assim os primeiros traumas físicos e psicológicos(Mt.26:67-68). Soldados do palácio reuniram-se para o sádico momento, de humilhação e escárnio. Cuspiam e esbofeteavam a face daquele justo Homem (Mc.15:16-20).
Na manhã seguinte (Mc.15:25), surrado e com hematomas, desidratado, e exausto por não dormir, foi levado a Jerusalém para ser chicoteado, sendo duramente açoitado, tendo o Corpo totalmente dilacerado (Is 53:5), seu Sangue escorria por toda parte; Os soldados romanos vêm uma grande piada naquele Judeu, que auto denominava-se, “Rei”. Resolveram colocar um manto sobre o seu ombro e colocaram pedaço de madeira em suas mãos, representando um cetro; eles ainda precisam de uma coroa para completar a cena, um pequeno galho flexível recoberto de longos espinhos é enrolado em forma de uma coroa e pressionado sobre Sua cabeça, proporcionando-lhe uma terrível dor; os soldados, cansados do sádico momento, retiram-lhe o manto das costas, promovendo-lhe ainda mais sofrimento.
Rejeitado pelos homens, dores o experimentavam em meio a tanto sofrimento de acordo com Isaias (53:3-4),

Como alguém de quem os homens escondem o rosto, foi desprezado e cuspido por muitos; mesmo assim ele tomou sobre si as enfermidades e levou as doenças e condenações da humanidade, contudo o consideraram, castigado, atingido e afligido por Deus.
Sentenciado à crucificação inicia-se a mais horrenda procissão. Uma pesada cruz é amarrada sobre seus ombros, dois ladrões o acompanhavam na vagarosa e penosa jornada até o Gólgota (Lc 23:32), Ele não suporta o peso da madeira devido aos choques produzido pela tortura e a grande perda de sangue, tropeça e cai; lascas da madeira entram em sua pele, pequenas pedras e areia, penetram em suas feridas expostas, tenta levantar-se, mas os músculos já não respondem. O centurião, ansioso para a crucificação, escolhe um homem para ajuda-lo a carregar sua Cruz (Lc 23:26); então Ele segue, ainda sangrando, suando frio, a cruel jornada. Chegando ao lugar da Caveira, lhe oferecem uma bebida para aliviar a dor da crucificação, mas Ele recusa-se a beber (Mc 15:23). Começa a crucificação, do Gólgota ouviam-se os gritos agonizantes de um Justo Homem; Os pássaros se calam, o sol já não brilha (Lc 23:45), a terra se retrai, o céu esconde o seu azul (Mc 15:33) e uma Lágrima Justa é derramada, um som se ouve em toda terra: então Ele brada, “ytewsym qwxr yntbze hml yla yla” (Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? Por que estás tão longe de salvar-me, tão longe dos meus gritos de angústia? Meu Deus!)” Mateus (27:46).
Um clamor sem resposta, alívio não recebido. Num madeiro estava o motivo de zombaria e objeto de desprezo do povo, caçoavam dele todos os que o viam, balançando a cabeça, lançavam-lhe insultos, dizendo: "Recorra ao SENHOR! Que o SENHOR o liberte! Que ele o livre, já que lhe quer bem!" Sl.22:8 Um dos que estavam sendo crucificados revolta-se reconhecendo que aquele Homem nada havia feito para tal condenação, em seguida um pedido é feito ao Mestre , instantaneamente é respondido.
Mas uma vez, ele olha para o céu, e é tomado por uma profunda angústia, não há ninguém para socorrer-lhe; vejamos a discrição profética do texto: Salmo (22:12,21),

Muitos touros o cercavam, como leão voraz rugindo, escancaravam a boca contra Ele. Como água se derramava todos os Seus Ossos totalmente desconjuntados. Seu coração tornou-se como cera; derreteu-se no íntimo. Seu vigor secou-se como um caco de barro, a língua d´Ele grudava no céu da boca, deixando-lhe no pó, à beira da morte. Cães o rodearam! Um bando de homens maus o cercava! Com as mãos e os pés perfurados. Passou a contar todos os seus ossos, mas eles o encaram com desprezo. Dividiram as suas roupas entre si, lançaram sortes sobre elas. O Homem dizia em seu intimo: “ Tu, porém, SENHOR, não fiques distante! Ó minha força, vem logo em meu socorro! Livra-me da espada, livra a minha vida do ataque dos cães. Salva-me da boca dos leões, e dos chifres dos bois selvagens.

Seu Corpo chega ao extremo do que humanamente suportaríamos, e Ele pode sentir o calafrio da morte passando, este acontecimento faz com que ele balbucie suas últimas palavras, provavelmente um pouco mais que um suspiro de tortura: “ESTÁ CONSUMADO”
Sua missão de sacrifício está completa, finalmente, permite o falecimento de Seu Corpo, numa última força, onde mais uma vez pressiona o Seu peso contra seus pés, estica as pernas e tomando profundo fôlego brada, em auto e bom som, seu último clamor “PAI, EM TUAS MÃOS ENTREGO O MEU ESPÍRITO (Lc. 23 : 46). Tendo entregue, o Espírito, o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a baixo, a terra tremeu, e as rochas se partiram, os sepulcros se abriram, e os corpos de muitos santos que já haviam morrido foram ressuscitados .
O pronunciamento das freqüentes mensagens proféticas são testemunhadas naquele triste e amargurante dia, como descreve Isaias (53:4,12),

Ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniqüidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados. Todos nós, tal qual ovelhas nos desviamos, cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho; e o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós. Ele foi oprimido e afligido; e, contudo, não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado para o matadouro, e como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a sua boca. Com julgamento opressivo ele foi levado. E quem pode falar dos seus descendentes? Pois ele foi eliminado da terra dos viventes; por causa da transgressão do meu povo ele foi golpeado. Foi-lhe dado um túmulo com os ímpios, e com os ricos em sua morte, embora não tivesse cometido nenhuma violência nem houvesse nenhuma mentira em sua boca. Contudo, foi da vontade do SENHOR esmagá-lo e fazê-lo sofrer, e, embora o SENHOR tenha feito da vida dele uma oferta pela culpa, ele verá sua prole e prolongará seus dias, e a vontade do SENHOR prosperará em sua mão. Depois do sofrimento de sua alma, ele verá a luz e ficará satisfeito; pelo seu conhecimento meu servo justo justificará a muitos, e levará a iniqüidade deles. Por isso eu lhe darei uma porção entre os grandes, e ele dividirá os despojos com os fortes, porquanto ele derramou sua vida até a morte, e foi contado entre os transgressores. Pois ele levou o pecado de muitos, e pelos transgressores intercedeu.





A SENTENÇA DE CRISTO :


No ano dezenove de TIBÉRIO CÉSAR, Imperador Romano de todo o mundo, Monarca Invencível, na Olimpíada cento e vinte e um, e na Elíada vinte e quatro, da criação do mundo, segundo o número e cômputo dos Hebreus, quatro vezes mil cento e oitenta e sete, do progênio, do Romano Império, no ano setenta e três, e na libertação do cativeiro de Babilônia, no ano mil duzentos e sete, sendo governador da Judéia; QUINTO SÉRGIO, sob o regimento e governador da cidade de Jerusalém, Presidente Gratíssimo, PÔNCIO PILATOS; regente, na baixa Galiléia, HERODES ANTIPRAS; pontífice do sumo sacerdote, CAIFÁS; magnos do templo, ALIS ALMAEL, ROBAS ACASEL, FRANCHINO CEUTAURO; cônsules romanos da cidade de Jerusalém; QUINTO CORNÉLIO SUBLIME e SIXTO RUSTO, no mês de março e dia XXV do ano presente – EU, PÔNCIO PILATOS, aqui Presidente do Império Romano, dentro do Palácio e arqui-residência, julgo, condeno e sentencio à morte, Jesus, chamado pela plebe – CRISTO NAZARENO – e Galileu de nação, homem, sedicioso, contra a Lei Mosaica – contrário ao grande Imperador TIBÉRIO CÉSAR. Determino e ordeno por esta, que se lhe dê morte na cruz, sendo pregado com cravos como todos os réus, porque congregando e ajustando homens, ricos e pobres, não tem cessado de promover tumultos por toda a Judéia, dizendo-se filho de DEUS e REI DE ISRAEL, ameaçando com a ruína de Jerusalém e do sacro Templo, negando o tributo a César, tendo ainda o atrevimento de entrar com ramos e em triunfo, com grande parte da plebe, dentro da cidade de Jerusalém. Que seja ligado e açoitado, e que seja vestido de púrpura e coroado de alguns espinhos, com a própria cruz aos ombros para que sirva de exemplo a todos os malfeitores, e que, juntamente com ele, sejam conduzidos dois ladrões homicidas; saindo logo pela porta sagrada, hoje ANTONIANA, e que se conduza JESUS ao monte público da Justiça, chamado CALVÁRIO, onde, crucificado e morto ficará seu corpo na cruz, como espetáculo para todos os malfeitores, e que sobre a cruz se ponha, em diversas línguas, este título: JESUS NAZARENUS, REX JUDEORUM. Mando, também, que nenhuma pessoa de qualquer estado ou condição se atreva, temerariamente, a impedir a Justiça por mim mandada, administrada e executada com todo o rigor, segundo os Decretos e Leis Romanas, sob as penas de rebelião contra o Imperador Romano. Testemunhas da nossa sentença: Pelas doze tribos de Israel: RABAM DANIEL, RABAM JOAQUIM BANICAR, BANBASU, LARÉ PETUCULANI, Pêlos fariseus: BULLIENIEL, SIMEÃO, RANOL, BABBINE, MANDOANI, BANCURFOSSI. Pêlos hebreus: MATUMBERTO. Pelo Império Romano e pelo Presidente de Roma: LÚCIO SEXTILO e AMACIO CHILICIO.


Conclusão

A glória dos mortais num só dia cresce, mas basta um só dia, contrário e funesto para que o destino, impiedoso, num gesto, a lance por terra.
Jesus de Nazaré diferente de todos os mortais, ressurgiu dos mortos ao terceiro dia, às Escrituras transmitem esta verdade como uma realidade vivida e visível, a humanidade foi marcada e essa história jamais será esquecida.

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