Nos emergimos no mundo da práxis dos movimentos amparados, suplantando a inexorável elaboração num processo hora alinhado, hora desajustado. O que se sabe neste emaranhado é que somos seres para uns e para outros. Isoladamente cada qual perde a plena significação sendo esta própria a conexão vital de nossa humanização, assim como o órgão sem o organismo em que vincula o seu funcionamento, o homem sem a sociedade não pode manter-se no estagio de humanização chegando na escala de um simples animal.
Nesta perspectiva existem os signos representados nas ideologias designando conjuntos organizados em padrões de conformidade para dar sentido e origem ao funcionamento estrutural condicionando os grupos. Toda via o conjunto destes padrões bem como vem se destacando deformam a possibilidade do raciocínio livre e transformador, métodos estes intencionalmente distorcidos ao sabor de varias mazelas sociais. Por outras palavras a imagem mental ventilada em nós não corresponde à realidade das coisas.
Sei que alguns não irão me compreender talvez seja muito melhor, ante ao forte sentimento de angustia e frustração. Entendo que realmente não é agradável saber que andamos no mundo das ilusões. Alias é isso mesmo que ocorre: ninguém ou quase ninguém raciocina com absoluta perfeição temos sempre uma boa margem de deformação que nunca escapa a nossa vida.
Afirmo com isso e declaro a dominação dirigida pelos donos do poder, que criam para nós esta tão elaborada incubadora, assessorada por formas e padrões estruturados por outros, mas mantidos por nossas próprias manutenções. Neste ponto é que surge a matriz da sutileza possível de reunir a todos nós, seja na crença, política, economia ou na religião, todas materializadas nas instituições. O que temos em nossas praticas são movimentos pré – fabricados, que garantem o contágio de nossa própria formação. Em todos os meios sociais o avantajado corpo ideológico das formas pré – fabricadas naturalmente toma força, vigorando de maneira cada vez mais intensa a deformação inconsciente da realidade. Nossa neutralidade frente a ideologia de dominação é sobre maneira assustadora, não vemos os subterrâneos de nossa irreflexão por isso se traduz uma certeza que chamamos de realidade. Assim raciocinamos a partir da neutralidade nos constituímos.
Entendo que só podemos superar a deformação ao passo que nos lançarmos na busca da total desideologização e este é o meu apelo nesta manhã a todos que entendem o meu desabafo.
Vagner Fontes
21 de dezembro 2010