Epistemologia e Lógica da Práxis
Não podemos negar a existência de uma relação indissolúvel entre o nosso comportamento e o que de fato carregamos como crença e valor. Sabemos, entretanto no que cremos ou pelo menos imaginamos; sobre tal as decisões tornam-se supostamente mais fáceis ante o nosso imaginário. Contudo, uma das questões difíceis de se responder é: no que realmente cremos ? A resposta poderá nos revelar uma série de pressupostos sejam eles simplistas ou complexos-conceitos implícitos por hora em nossas falas, por muito em nossas ações. Talvez jamais tenhamos clareza a cerca deles, mas são eles que constroem nossa visão de mundo ou pelo menos de forma teórica, manifestando assim o mundo das práticas.
É possível que sem percebermos o nosso pensamento revele uma série de ações inconsistentes, excludentes e absurdas. O fato é que nossos conceitos, explícitos ou não terminarão por se juntar a outros e, deste modo, sem consciência e mesmo consistência, vamos aos poucos formando uma maneira de ver o mundo e também de avaliá-lo a nosso modo. De fato não aceitamos o mundo como ele é, mas criamos um mundo com a nossa aparência, pensamos profundamente no que é suficiente, perceberemos que cada proposição simples que pensamos ou cada ação que realizamos pressupõe uma série de princípios responsáveis por elaborar sistemas e subsistemas inter-relacionados pelos quais percebemos e respondemos à realidade que criamos. Essa é sobretudo, nossa cosmovisão.
Somos todos capazes de elaborar sempre que necessário uma nova percepção que determinará de forma intensa o nosso comportamento perante a sociedade, tendo implicações em todas as esferas de nossa existência.
Objetivamos revelar uma epistemologia que antecede à lógica, tendo em vista que esta, por mais coerente que pareça se partir de uma premissa equivocada embebedada de vícios da nossa sociedade de consumo nos conduzirá a conclusões plenamente distanciadas do mundo real e, portanto, a uma ética com fundamentos inconsistentes e degradadores.
Ferreira Gullar, em seu artigo, “Um bicho que se inventa”, publicado na Folha de S.Paulo, 1.1.2006, diz que toda pessoa necessita que as demais pessoas a reconheçam tal como ela acredita que é, tal como se inventa para si mesma. Isto significa que, porque somos uma invenção de nós mesmos, o reconhecimento do outro é indispensável a que esta invenção se torne verdadeira. Vejo que isso, sobretudo ocorre por que somos de fato seres sociais, vivemos juntos e construímos formas de organizações interadas aos nossos jeitos ao longo do tempo, fortificadas a partir das nossas aceitações.
É justamente na cosmovisão que percebemos as respostas dadas por nós em nossas próprias questões, principalmente às que diz respeito a vida em sua complexidade, quase todas subvertidas ao interesse das infra-estruturas, sejam elas conceituais, padronizadas ou arranjas das nossas tão diferentes crenças. Ainda que não pretendemos ser exaustivos, podemos inspirar nossos delírios e dizer que a nossa cosmovisão é constituída por um conjunto lógico do mundo real.
Que haja, no cerne desta reflexão, uma cosmovisão diferente atrelada à liberdade curada do súbito mal social excludente de padrões de controle.
Sola Gratia, Solo Christus, Sola Fide e Sola Scriptura
Fontes Vagner
31/01/2011
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